terça-feira, 9 de junho de 2009

Chamava de balangadeira

Chamava de balangadeira a sólida cadeira de madeira maciça vergada, de permanência hereditária no fundo da varanda. Fora do trisavô, passada ao bisa, antes de confortar o avô, que a presenteou ao pai. Feita para ver vistas, pelos olhos passados mostrou paisagens bucólicas, no sítio da família. Pelo olhar presente, erguida ao sexto andar, dava para um triste edifício e suas janelas medíocres.
Pena que os olhos da ocupante Wanderléia não viam mais nada. Estirada como estava para a fotografia do perito, jazia sem ritmo para frente ou para trás. Sem a tonteira dos balançares embriagados ou o cochilo saudável do pós-almoço. Ao investigador mal educado que perguntou duro onde ele havia colocado a vítima, o traído aflito apontou a herança passional: - ali, na balangadeira...

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