sábado, 19 de novembro de 2011

Um corre

Um corre atrás, cerca daqui, cutuca ali, bate de lá, marcou a luta entre Eliseu e a barata. Contrário a ele, homem reto e claro, o inseto ziguezagueava pelos cantos obscuros. Só se via a sombra de Eliseu projetada nas paredes, de chinelo em punho e nada do bicho. Depois, o spray, que envenenava o ar. Mas tarde, o agastamento do homem, estirado à poltrona com o enfado dos derrotados, entregue à barata. Ninguém nunca soube o fim do suplício ou sequer quem sofreu mais entre aqueles dois. A barata nunca conhecera Gregor Samsa, e Eliseu que, sim, o conhecia há tempo, conseguiu o subterfúgio que precisava para desistir de vez dessas missões domésticas.

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