
Aquelas “carnes abundantes e já um bocado crepusculares” de Maria Rita o haviam retirado do banquete exótico de cachorras e cadelas, que era como a mulher se referia às escapadelas de Agnaldo, para os amores fortuitos, nos primeiros anos de vida em comum. Mas, nem todo o direito de errar dá licença à burrice. Ao acordar afoito, naquela madrugada que antecedia o ano novo, Agnaldo destruiu os chinelos de Maria Rita, com os dentes afiados. Cagou no tapete da sala e mijou no pé da geladeira. Abriu o velho Drurys, que servia de enfeite para as visitas, na prateleira do barzinho, e entornou meia garrafa num gole só. Fumou todos os cigarros proibidos. Sentou sujo no sofá e gritou o nome da mulher, que acordou assustada. Rosnando para ela, jurou, mostrando os dentes, que jamais tomaria a próxima vacina.
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