
No boletim de ocorrência as coisas são chamadas pelo seu nome, e recuperam a personalidade exaurida pelo uso. Como se nenhum deus entrasse naqueles cômodos (três, totalizando 42 metros quadrados) há tempo. Só não constava o nome da vítima. Homem. Aparentando 35 anos, pele branca, vestindo calça jeans desbotada e camisa vermelha, puída nas axilas. Sem documentos.
Na tela de proteção, uma espécie de testamento virtual era o único sinal de luz, ali, naquele espaço desprezível: “agora isso tudo é seu, Elisa, canalha”.
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