
Ver Elvira assim, falando sozinha, contemplativa e imóvel, causa compaixão. Parece querer defender a si dos mal-entendidos próprios ou do mundo.
Quando Ernesto, artista plástico acadêmico-figurativo, pintou o nu de Helenice, foi a gota. Aqueles tons rosados da prima, as curvas salientes e o sorriso monaliso, turvaram a vista e estremeceram o tronco um tanto mirrado de Elvira. Sentiu gelada a raiz do cabelo e, de espátula em punho, foi ao marido, no atelier anexo. Uma, duas, três estocadas. Agonizante, ele ainda chamou a polícia. Foi camarada. Apesar das cicatrizes abstratas, jurou ao juiz que a mulher era psicopata. E mudou de vez o estilo.
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