
Dissimulando uma proximidade casual, escondeu sob uma enorme folha de antúrio, aparentemente despojada no canto direito do portão de sua casa, uma sardinha fresca, capaz de atrair o cão. Belinha passou, Clodô parou, insistente. “O cachorro gosta de você”, ela lhe diria. “Adoro animais”, responderia, para início de conversa, e a convidaria para um suco de limão. Fariam-se conhecidos, amigos, por suposto, amantes, não fosse a dignidade do acaso. Ao abocanhar a sardinha, Clodô sofreu uma parada respiratória. Malditos espinhos, esses, que a vida movimenta.
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